Keblinger

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Não te ensinei a sentir, porque eu sinto demais... by @dullimm

| quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu te ensinei a dançar na vida.
E você aprendeu rápido. 
Dançava com violência quando via o medo. 
Dançava suavemente ao fazer amor. 
Dançava ao adormecer quando ficava triste ou angustiado. 
Dançava e nada te tocava o coração. 
Nunca gozou da plenitude da paixão, nunca sofreu de tristeza profunda que não larga o espírito, que corrói...
Não te ensinei a sentir, porque eu sinto demais.

Não sei se fiz bem.
Sou muito feliz e muito infeliz. 
Sem o saber, você é apenas feliz. 
E como não sabe, talvez não seja nada. 
Ou talvez nem exista...
Talvez eu tenha ensinado o que eu ainda não sabia.



O Invólucro e o Ventríloquo @simonebrichta

| terça-feira, 15 de maio de 2012



Apresentação CCBNB 2011 Juazeriro do Norte. Poema Publicado no IV Prêmio Literário Canon de Poesia 2011.

'Pedido' por @fbbraun

| terça-feira, 1 de maio de 2012

O que fazer
Se meu coração pede
Mas minhas mãos
ficam paralisadas
como em estado de transe
Se minha mente
fica confusa:
Pensamentos desconexos
Desejos não decifrados
- ou, pior -
completamente conhecidos
porém, inatingíveis...
Os olhos anseiam ver
Os ouvidos, escutar
A alma levitar
tudo ao som do teu cantar...
No céu,
a lua se escondeu
triste pela ausência
do motivo de seu cintilar
da razão de seu existir.
O luar foi se deitar...
E as estrelas,
solidárias,
te chamam
Clamam tua presença
Pra que o sol
também volte a brilhar...
E, assim, meu verso
retorne
Pra este caminho
Iluminar!

Nada sei... por @Leticia_LCoelho

| quarta-feira, 25 de abril de 2012

Nada sei dos rumos
Que mudam em segundos…
Infinitas histéricas
Na vida concreta…
Não se desprezam…
Pétalas de flor.

Por nada saber,
Da vida vivida
Das notas doloridas
Me engasgo em compassos
Rasgados…Como um disco quebrado
Escrevo sobre vento
Morte e amor.

O branco escurece
Em minutos…
Ali está o dito fim do mundo,
Ele é ilusório…
Porque fim é começo
O tempo é circular
E por mais que os ponteiros girem
(No mesmo lugar)
Não gastam…
E as malditas horas…
Insistem em nos levar.

Não sei nada…
Nem da natureza, sei!
Como crescem plantas
O nexo das coisas…
A dimensão que existe
O que existe?
Onde anda o fato…
Se nem o tamanho do Universo
É mensurável.

O que se sabe do certo…
Se todos são estereótipos…
Como uma manada em direção ao abate…
Buscam a perfeição,
Sonham com a perfeição,
Querem a perfeição…
Mas não se dão conta…
Que ele, o tempo
Leva pedaços,
Enruga a pele
E enxuga o que achamos saber.
Não se tira nada da vida…
O que sobra são histórias
Contadas por outros,
Que com o tempo…
Passam a sumir,
Todos vão sumir.

Nada se sabe ao certo…
Tudo é novela,
Fatos exatos…
(utópicos)
Quem criou o mundo?
Existe hoje algum lugar seguro?
Onde andam os reis astutos?
Talvez o tempo os levou,
Os criou…Inventou.


Imagem daqui

'Retrato' por @DomIsidro

| segunda-feira, 23 de abril de 2012

A noite chegou de manso
Como quem vem pra ficar
Trouxe um véu cobrindo a tarde
E um manto de estrelas pro luar
Trouxe um riso na lembrança
E uma causa pra sonhar.

Na solidão do meu mate
Sussurrei esta canção
Com teu nome entre as ondas
Faz-se mar meu chimarrão
Sem o mel do teu sorriso
Pra adoçar meu coração.

Vi os grilos em melodia
Em parceria com a rua
Vi que a noite fez de estrelas
Seu livro de partitura
Numa orquestra da natureza
Magistrada pela lua.

Quando o brilho dos meus olhos
Fez menção ao horizonte
Um barrete de esperanças
Pra saudade fez reponte
O pôr do sol num sorriso
Retratou o teu semblante.

Noutro mate, noutro verso
Foi-se embora o meu cansaço
Pois tua voz soprou meu nome
No canto suave de um pássaro
Que se aconchegou no ninho
Como te aqueço em meus braços.

E a cuia quedou-se quieta
Bem ao lado da cambona
O vento levou meu beijo
E silenciou a cordeona
Para levar meu olhar
Pra te entregar, minha dona.

A noite chegou de manso
Trouxe um véu cobrindo a tarde
Sussurrei esta canção
Na solidão do meu mate
Retratou-me teu semblante
Num pôr de sol que ainda arde.

[Dom Isidro]

'A poeta e o poema' por @monicacompoesia

| quinta-feira, 19 de abril de 2012


Ela o escreveu como fazia não religiosamente todos os dias. Como sempre após a escrita se manteve em silêncio por alguns longos minutos para que ele adormecesse no conforto do papel que já não estava mais em branco. Permaneceu ali, o acarinhando com seus olhos como uma menina faz com uma flor, cheia do mais puro amor nas mãos. O deixou sonhar tranqüilamente como um menino indefeso enquanto velava suas entrelinhas adormecidas. Algum tempo se passou sem que ela percebesse. Ele então acordou pronto para enfrentar outros olhos que não os dela, algumas vezes com admiração, outras vezes com incompreensão. Mas ele sabia que tudo estava bem, que era esse o seu caminho e que não precisava temê-lo já que percorrê-lo era bem mais que uma necessidade, era sua declaração explicita de existência poética. Ela percebendo a coragem que ambos compartilhavam naquele instante sorriu harmoniosamente concordando com ele. Estava na hora. Ele devia seguir a sua sina de poema. Ela de poeta. E lá se foram felizes postá-lo para o mundo.


Imagem daqui
 

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